Brasília (DF) – Dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) indicam que o Distrito Federal segue em alerta amarelo para baixa umidade, com previsão de temperatura máxima em torno de 32° C para sexta-feira (28/8). Entre os principais efeitos nocivos do clima seco estão a desidratação, o aumento do risco de transmissão de doenças infecciosas e problemas respiratórios, exigindo cautela redobrada, sobretudo com idosos, bebês e crianças, que formam grupos altamente vulneráveis à combinação de temperaturas extremas e clima seco.
Cuidados respiratórios
Segundo o pneumologista Ricardo Martins, do Hospital Universitário de Brasília (HUB-UnB/HU Brasil), as principais enfermidades respiratórias que surgem durante o clima seco são as de origem alérgica e infecciosa. “De forma geral, as principais medidas para amenizá-las são evitar o uso de ar-condicionado em temperaturas abaixo de 22ºC, não fazer exercícios físicos entre 9h e 17h, umidificar o ambiente de casa e do trabalho, manter uma alimentação saudável e com baixo teor de sódio, e hidratar o corpo através da ingestão de água e sucos de frutas naturais, de cremes hidratantes para pele e de soro fisiológico para narinas e conjuntivas”, esclarece.
Ainda de acordo com o médico, a baixa umidade causa alterações significativas no meio ambiente, como é o caso da concentração de névoa seca, que reúne poeiras em suspensão, fumaça de automóveis e partículas oriundas de queimadas, prejudicando a qualidade do ar. “Viver num ambiente de baixa concentração de água e de alta concentração de partículas poluentes no ar que respiramos tem múltiplos efeitos negativos no corpo humano, como o aumento da perda de água pela via respiratória, o ressecamento da via aérea respiratória, e a formação de crostas no trato respiratório”, acrescenta Ricardo.
Atenção especial a pessoas idosas
Picos de calor e umidade baixa podem afetar pessoas idosas como um todo, principalmente quando há variações bruscas. Um dos motivos principais é que o organismo humano é composto por cerca de 70% de água, contudo, em pessoas idosas, essa faixa diminui. “Idosos costumam ter uma concentração de água menor no organismo, já que, ao longo da vida, vai acontecendo uma substituição de músculo por gordura, e a gordura repele a água. Para quem já está com a quantidade diminuída fisiologicamente, uma redução causada por questões ambientais afeta mais a pessoa idosa do que um adulto jovem”, explica ochefe do serviço de geriatria do HUB-UnB/HU Brasil, Marco Polo.
De forma geral, os efeitos negativos do clima seco e do calor em pessoas idosas vão desde prejuízos ao raciocínio e nível de consciência até problemas de ressecamento de pele, funcionamento gastrointestinal e osteomuscular. “Também pode acontecer um aumento de viscosidade sanguínea e isso provoca eventos como trombose venosa e arterial, que causa AVC e infarto”, destaca o médico.
Também há risco aumentado para infecções de vias aéreas superiores, já que o ar mais seco acaba diminuindo as defesas mecânicas da árvore respiratória. Além disso, os fatores ambientais característicos dessa época podem precipitar doenças pré-existentes em idosos e, com isso, descompensar sua saúde geral. “Geralmente, a pessoa idosa toma um número maior de medicamentos e tem um número maior de enfermidades. Essa interação com um meio agressivo também agrava, como um todo, os quadros de saúde já enfrentados”, observa.
Para minimizar os riscos para a saúde, há cuidados essenciais que devem ser tomados com pessoas idosas:
- Manter o corpo hidratado, multiplicando 35 ml de líquido pelo peso da pessoa em quilos para saber qual é a quantidade correta que deve ser ingerida por dia, e então distribuir essa quantidade, preferencialmente, pela manhã e à tarde para não atrapalhar o sono à noite;
- Beber água, água de coco, suco natural e água saborizada com cascas de frutas;
- Evitar líquidos ou produtos cafeinados como café, chá preto e chá mate, que possuem ação diurética forte;
- Evitar bebidas isotônicas que concentram eletrólitos, sódio e potássio, caso a pessoa não consuma outros tipos de líquido para se hidratar, pois esse costume traz desequilíbrios ao organismo;
- Proteger a pele do sol e evitar estar em áreas externas nos momentos mais secos do dia, ou seja, das 10h às 16h;
- Usar roupas mais frescas e adequadas para o clima;
- Dar preferência a alimentos mais leves para não deixar a digestão mais lenta, necessitando de um esforço maior do organismo para metabolizar e para digerir esses alimentos.
“Idosos que estiverem mais debilitados não vão perceber a sede, nem pedir água, portanto, é importante que familiares e responsáveis se atentem para oferecer água com mais frequência”, recomenda Marco Polo.
Bebês e crianças
Para o pediatra do HUB-UNB/HU Brasil, Celso Taques Saldanha, a principal preocupação com bebês e crianças em períodos de umidade baixa é a hidratação. “Esses grupos apresentam, proporcionalmente, maior quantidade de água no organismo e podem ser mais vulneráveis às perdas de líquidos. Além disso, a baixa umidade resseca a pele e as mucosas respiratórias, podendo comprometer suas barreiras naturais de proteção e favorecer irritações, dermatites e infecções respiratórias”, esclarece.
Ainda segundo o médico, a pele, maior órgão do corpo humano, sofre com os efeitos do clima quente e seco, especialmente na infância, já que bebês e crianças possuem, proporcionalmente, maior superfície corporal e frequência respiratória mais elevada, o que significa mais perda de água e exige atenção à hidratação, à proteção da pele e ao conforto térmico.
Nos dias mais quentes, os responsáveis devem observar a frequência e o volume da urina do bebê. Redução da diurese, urina mais escura, boca seca, ausência de lágrimas, irritabilidade, sonolência excessiva ou diminuição da disposição para mamar podem indicar desidratação e exigem avaliação. Para bebês em aleitamento materno exclusivo, recomenda-se oferecer o peito mais vezes, em livre demanda, sem substituir o leite materno por água, já que o próprio leite fornece a hidratação necessária nos primeiros seis meses de vida. “No caso de crianças maiores de seis meses, a água potável deve ser oferecida regularmente, em pequenas quantidades e várias vezes ao dia, sempre acompanhando a diurese e o estado geral”, ressalta o médico.
Outro ponto de cuidado é a exposição ao sol. Bebês menores de seis meses devem ser protegidos dos raios solares através do uso de roupas leves que cubram a pele, chapéu, guarda-sol ou da capota do carrinho, sem bloquear a circulação do ar. “O protetor solar, em geral, é indicado a partir dos seis meses e deve ser aplicado nas áreas expostas”, recomenda Celso. “Também é indicado permanecer em áreas cobertas e ventiladas, improvisar sombra segura com um tecido leve mantido distante do rosto da criança e evitar deslocamentos nos períodos mais quentes”, complementa.
Em casa, deve-se abrir portas e janelas para favorecer a circulação do ar, fechar cortinas nas janelas que recebem sol direto, oferecer banhos mornos para as crianças e mantê-las em cômodos mais frescos. “De forma geral, devemos fazer com que bebês e crianças consumam mais água, usem roupas frescas e fiquem em ambiente umidificado e confortável”, aconselha o pediatra.
Sobre a HU Brasil
O HUB-UnB integra a HU Brasil desde janeiro de 2013. Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a estatal nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh). É responsável pela administração de 47 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação.

