Por Paulo Calvet
Durante muito tempo a filosofia desprezou o corpo. Como se fôssemos só uma alma vagando, presa a um pedaço de carne que apodrece no fim.
Acontece que, enquanto estivermos nesse mundo, somos carne. É verdade que, por extensão:
a paisagem é corpo e o corpo é paisagem.
O sol maranhense, equatorial, doura nossas peles e cabelos. A macaxeira, que vem de solo solto, molda nosso paladar. Quem não gosta daquele peixinho frito, ingerido à beira mar?
O que podemos concluir, com tudo isso, é que somos paisagem, por inteiro: cor, pele e cabelo se juntam aos babaçuais. Pés mãos e braços confundem-se com as águas.
O barro do barranco vira telha, tijolo; depois casa, onde a gente mora. Juçara, farinha e camarão viram sangue de gente.
Enfim, a paisagem é corpo e o corpo é paisagem.
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Paulo Calvet é professor de filosofia e história, atuante na educação básica e no ensino superior do Maranhão. Graduado, especialista e mestre em Filosofia também concluiu a graduação em História.
