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Por que Toy Story ainda encanta?

Por Poliana Ribeiro

É sempre um pouco angustiante quando é anunciada a continuação de uma franquia de sucesso. Há quem veja apenas a vontade de ganhar mais dinheiro em cima de um produto já consolidado – motivação em muitos casos da indústria do entretenimento – e tantos outros que somente mergulham na nostalgia e acolhem, de braços abertos, personagens conhecidos em novas aventuras. E se tem uma franquia que ainda consegue render lucro para a Disney e Pixar sem desagradar seu fandom é Toy Story.

Trinta e um anos se passaram desde que Woody, Buzz Lightyear e companhia encantaram plateias mundo afora com uma premissa aparentemente simples: e se os brinquedos ganhassem vida quando suas crianças não estivessem por perto? De lá pra cá, o caubói viu seu dono original, Andy, crescer e ir para a faculdade; enfrentou vilões improváveis – como o urso de pelúcia Lotso –, ganhou uma nova dona, Bonnie, e fez amigos diferentes, como Garfinho, uma sucata transformada em brinquedo.

Tantas aventuras depois, era de se esperar que mesmo um brinquedo sentisse os efeitos do tempo. E nem estamos a falar apenas do curioso fato de o caubói estar ficando careca, mas de todas as questões que compõem o pano de fundo da franquia: infância, amadurecimento, amizade e lealdade.

Em Toy Story 5, a xerife Jesse assume o protagonismo, tendo como principal ameaça Lilypad, um tablet que rouba a atenção de Bonnie, talvez uma das poucas crianças que ainda resistia ao fascínio exercido pelas telas. Sem amigos para brincar, a garotinha rende-se ao digital e começa a estabelecer vínculos frágeis. De lado, ficam todas as narrativas divertidas que criava na convivência com seus brinquedos.

Traumatizada por já ter sido deixada de lado outras vezes, Jesse e seu fiel amigo Bala no Alvo enfrentarão muitos desafios para tentar ajudar Bonnie a se relacionar melhor com outras crianças e voltar a brincar de verdade. E é claro que Woody e Buzz farão de tudo para ajudar sua xerife, assim como outros amigos, incluindo alguns mais tecnológicos.

Quanto à pergunta do título, pode-se responder: Toy Story ainda encanta porque ainda existem crianças, inclusive os adultos que conseguem enxergar a vida além do pragmatismo cotidiano, porque é divertido e igualmente cativante, porque apela para a nostalgia, mas aposta sempre um personagem adorável e em um enredo que ilustra questões profundas e universais.

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Graduada em Comunicação Social e mestre em Cultura e Sociedade, Poliana Ribeiro é jornalista e escritora. Lançou o romance juvenil Alice e seu passado em 2024. Trabalha como assessora de imprensa no Ministério Público do Maranhão. Ama livros, música, tricô e gatos.